Eu estava na casa onde vivia quando era criança, apesar de só o sótão parecer fiel à realidade daquela altura.
De vez em quando, ouvia algo que caia no chão de madeira do sótão e se estilhaçava como se fosse uma lâmpada. Depois de muitas vezes, decidi subir a ver o que se passava. Lá em cima, estava o meu irmão mais novo (ainda criança) e a minha mãe.
No chão havia nada para além de poeira. Espreitei por debaixo de alguns móveis a ver se encontrava alguma coisa que justificasse o ruído estranho e encontrei apenas cada vez mais poeira que se ia infiltrando no meu cabelo.
Aflito, passava as mãos pela cabeça para retirar a poeira, como quem sacode a areia do cabelo num dia ventoso de praia. É nesta altura que começo a dar conta de um sentimento estranho a esgueirar-se pela espinha acima e suspeito estarmos num sótão assombrado.
Com receio de falar sobre o assunto à minha mãe na presença do meu irmão mais novo, dou-lhe sinais de me dever acompanhar até ao piso de baixo para lhe dizer que o sótão precisa de ser "limpo". A poeira no cabelo, sempre lá.
Ao descer as escadas com a minha mãe, dou com um padre que vai subindo os degraus para fazer um exorcismo ao sótão.
Quando nos cruzamos e olhamos nos olhos um do outro, dou de caras com o Papa Bento XVI que traz no rosto a expressão sinistra e demoníaca daquilo que eu julgo ser a causa do problema.
Explicar o medo que senti na altura está para além das minhas capacidades literárias. Sei apenas que dei por mim a deixar sair sons de pânico e sinto o Lovinho agarrar na minha mão a dizer que estava tudo bem.
Eventualmente voltei a adormecer. A imagem sinistra do Papa tem vindo a acompanhar-me, no entanto, ao longo do dia.
Nunca fui fã de Papas e este, em particular, não vai mesmo nada com o meu tom de pele.
5 comments:
este é super spooky!
ca mêde!
eu sempre disse que aquele amigo não era coisa boa...
olha lá, são 9.20m local, 10.30 capital time.
só o facto de conseguires sacudir coisas do cabelo (que tu tens pouquinho) seria o suficiente pra te aperceberes que aquilo era tudo mentira....
(há que tempos que eu não te achincalhava, coire lindo)
amiga
que sódades!
volta! eu perdoo-te.
Có'ror!!!
Papas, bem loge...fazem-me buraquinhos nas coxas!
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